Olhando até mesmo de perto ela parece inofensiva: vermelhinha, pequena e enrugada, mas dentro da boca é uma explosão de picância. É como se você comesse mil sóis de uma vez. E quem é doido de comer essa tal Carolina Reaper?

Quase todo mundo que curte pimenta, porque a gente gosta é do estrago! Não é a toa que nosso Papai Noel Morreu deste ano vem com essa belezinha aliada ao umâmi, o último sabor básico reconhecido pela ciência.  Não queriam que ardesse? Então toma, cabróns!

Mas vamos ao que interessa, que é a criação da Carolina Reaper, reconhecida como a pimenta mais ardida do mundo atualmente.

Como tudo começou

Recém-admitido na universidade de Michigan na década de 80 e se jogando nas festas de fraternidades, o jovem Ed Currie começou a se preocupar com o efeito que a vida louca poderia gerar na sua saúde. Ele começou a pesquisar e descobriu que indígenas que viviam ao redor do Equador não sofriam com doenças cardíacas ou câncer.E o que eles tinham em comum? Comer pimenta em todas as refeições, até mesmo com água.

“Inicialmente eu dizia que era uma preocupação com essas doenças, mas na verdade a pergunta era: como posso continuar festejando sem morrer?”, contou o agricultor ao site Thrillist.

De fato, diversos estudos têm revelado que a capsaicina – a substância que causa sensação de ardor nas pimentas – possui propriedades que combatem as células cancerígenas. A capsaicina faz com que essas células se autodestruam e costuma ser usada em tratamentos holísticos. No entanto, as evidências ainda não são sólidas o suficiente para desenvolvimento de medicamentos tradicionais.

Se aprofundando no mundo da picância, Ed acabou se classificando como um viciado pelo tempero, do tipo que consome pela emoção que ela causa e o agito entre a turma. Isso acontece porque a capsaicina envia uma mensagem ao seu cérebro e o engana, já que ele pensa que você está sendo queimado. Por sua vez, o cérebro responde liberando endorfinas (a maneira natural do corpo de aliviar a dor) e dopamina. Juntos, eles criam um sentimento eufórico muito semelhante ao causado por algumas drogas. “As pessoas dizem ‘isso melhora minha comida’, mas estão simplesmente ficando chapados”, afirma o criador da Carolina Reaper.

Depois de tantas festas da faculdade, a formatura e a década seguinte, Ed Currie decidiu se internar em uma clínica de reabilitação para seu vício em álcool e drogas. E, em 2001, voltando para a fazenda dos pais, na Carolina do Sul, foi que seu amor pelas pimentas floresceu.

Ele gostava de fazer experimentos e começou a desenvolver algumas espécies em busca de mais sabor, até que, um “acidente botânico”, como ele mesmo definiu, acabou se tornando uma vencedora do Livro dos Recordes.

“Eu não estava tentando criar a pimenta mais forte do mundo, mas sim algo que fosse bom, mas acabou ficando bem quente”, contou o agricultor.

Surpreso com a criação, Currie atestou que a Carolina Reaper tem em média 1.641 milhões unidades de calor Scoville (SHU), superando a detentora do recorde anterior, a Trinidad Scorpion, que possui 1,46 milhões de SHUs. Para se ter noção, uma pimenta jalapeño conta com apenas 8 mil SHUs.

A pimenta foi batizada como Carolina, por ser da Carolina do Sul e unida à palavra Reaper, que significa ceifeira, uma figura imaginaria que extingue a vida com uma foice.

Colocando no mercado

Mas não é só fazer um experimento que resulte em algo incrível para que ele se torne recordista e produzido em larga escala. O processo de aprovação de uma nova espécie é rigoroso e pode levar até uma década, já que é necessário que a raça cruzada se estabilize.

O agricultor ainda teve que contratar um químico e um geneticista, para acompanhar o processo ao longo dos anos. ”A partir daí, um laboratório de química precisa verificar uma média estatística das SHUs e só então você pode se inscrever no Guinness para obter um recorde mundial ou apenas obter um certificado do USDA que diz que é um híbrido estável, permitindo a comercialização”, disse ele.

No meio deste processo, Ed conheceu sua atual esposa em uma reunião dos Alcoólicos Anônimos e ela foi uma grande incentivadora de sua sobriedade e do seu novo negócio, que até então era só um hobby. “Fomos ao mercado de agricultores e, no primeiro final de semana, vendemos 800 dólares. Quando vi que poderíamos compensar alguns dos custos fazendo tudo isso, decidi iniciar a empresa”. Hoje a PuckerButt fatura atualmente 1 milhão por ano e é a maior fazenda de pimenta orgânica dos Estados Unidos.

Se você comer algo que leve Carolina Reaper por lá, provavelmente terá sido produzida nas terras de Ed.

Ele bateu seu próprio recorde

E quem pensa que Ed Currie parou por aí, está enganado. Sempre pesquisando e buscando novos cruzamentos entre espécies, o agricultor acabou criando uma pimenta ainda mais forte que a Carolina Reaper. Batizada como Pepper-X, a pimenta conta com 2,48 milhões de unidades de calor de Scoville, mas ainda não foi reconhecida pelo Guiness, uma vez que precisa passar por todos os processos de estabilização. Fizemos uma matéria sobre ela aqui.

E se você ficou curioso para experimentar a picância da Carolina Reaper, se joga no nosso molho Papai Noel Morreu, que foi cultivado aqui mesmo em terras brasileiras. Corre que a edição é limitada.

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