Se você acompanhou de perto a trilogia Matrix, com certeza já notou que as coisas que aconteciam nos filmes não eram tão viagem assim perto do que o mundo real está se tornando. E o que dizer sobre a comida do futuro então?

Ao viver no mundo ilusório criado pela matrix, as pessoas se alimentavam de uma comida farta e saborosa, mesmo que virtual, e, depois de despertos, mudavam para uma alimentação processada e sintetizada focada somente na nutrição do corpo.

Aqui, na real life, o prazer de comer está cada vez mais em destaque, e a variedade de opções e de estilos alimentares cresce a cada dia. Com o aumento no número de veganos, vegetarianos, dietas à base de plantas, preocupação com desmatamento, criação e abate de animais e tudo que envolve o tema, entramos em uma nova Era da alimentação.

Independentemente da motivação, há uma revolução em curso que pretende reinventar a produção e o consumo de proteína no mundo. Porém de uma maneira diferente do que mostrava a trilogia, porque aqui, além da nutrição, há a promessa de agradar a todos os paladares – não só os veganos.

Chamadas de carne do futuro, essas inovações tecnológicas no mundo da alimentação, prometem passar longe de abatedouros e trazer a qualidade natural totalmente produzida em laboratório.

Se você ainda não tem noção de tudo que tá rolando nesse mercado, separamos 3 provas de que entramos na Era da matrix alimentar, saca só:

  1. Hambúrguer de cultura celular

A startup holandesa Mosa Meats está desenvolvendo hambúrgueres a partir de pouquíssimas células de animais vivos. Funciona assim: um pedaço de tecido menor do que um gergelim é retirado por meio de biópsia, sem que haja dor ou abatimento do animal.

As células então são colocadas em uma solução para crescer e se multiplicar, formando exatamente o mesmo tecido que o animal, assim podendo ser comido sem crueldade e com exatamente o mesmo sabor.

O primeiro hambúrguer de cultura celular foi preparado e degustado ao vivo na TV pelo professor da Universidade de Maastricht e CEO da startup Mosa Meats, Mark Post em agosto de 2013. Dois anos depois, uma aceleradora investiu 50 mil dólares no empreendimento, com o objetivo de desenvolver um sistema 100% livre do uso de animais.

A expectativa é que os novos hambúrgueres cheguem aos supermercados ainda este ano, com sabores e texturas semelhantes à carne tradicional e a preços competitivos. Este é, sem dúvidas o maior obstáculo, mas que vem sendo vencido, já que o primeiro hambúrguer da startup custou 330 mil dólares para ser produzido, mas hoje chegou-se a um valor bem mais realista, equivalente a 40 dólares a unidade.

  1. Bill Gates está investindo nas carnes high techs

O objetivo deste mercado é tornar o preço tão competitivo como das carnes de abate, de forma que qualquer pessoa opte pelas produzidas em laboratório. E não faltam fundos de investimento de olho nesta tecnologia.

A Memphis Meat cultivou frango em laboratório. (Reprodução)

A New Crop Capital é uma delas, e investe, por exemplo, na Memphis Meats, que é sediada em São Francisco, na Califórnia. Em março do ano passado a startup promoveu a degustação de suas primeiras tiras de frango e pato cultivadas em laboratório. Em fevereiro de 2016, os caras já tinham produzido as primeiras almôndegas cruelty free.

À Exame.com, o fundador da companhia, Bruce Friedrich disse que “dentro de algumas gerações, o abate de animais para alimentação será extremamente raro no mundo desenvolvido. No lugar, entraria em cena a “carne limpa”, termo cunhado para designar a proteína cultivada em laboratório”. A meta da New Crop é investir pelo menos 5 milhões de dólares anuais na causa.

E se tratando de inovação, o bilionário fundador da Microsoft, Bill Gates, não poderia ficar de fora. Ele aplicou uma grande fatia na startup Impossible Foods, que fica no Vale do Silício, e está desenvolvendo bife, bacon, peixe, frango, leite e queijo à base de vegetais. O seu hambúrguer com sabor idêntico à carne já figura o menu de grandes restaurantes em Nova York, Los Angeles e São Francisco e até grandes redes, como Burger King e KFC. Falando em Burguer King, a Impossible Foods revelou na CES 2020, em janeiro, que além de carne de porco vegetal, ainda vai lançar este ano um produto similar à linguiça, que será vendido em sistema de testes em 139 restaurantes da rede.

O presidente executivo da Alphabet, empresa mãe do Google, Eric Schmidt também já estava de olho na tendência desde 2016, quando palestrou na Global Conference e afirmou que os substitutos da carne são umas das mais importantes tendências tecnológicas do momento. Deixem os carros autônomos pra lá, amigos.

  1. Até os brasileiros já caíram nas graças da carne que não é carne

Num país onde churrasco e carne são quase lei nas reuniões de família, as carnes sintéticas foram muito bem recebidas.

Lançados em maio do ano passado, os hambúrgueres da Fazenda Futuro, a primeira foodtech brasileira a criar um produto que emule a carne bovina no país, fizeram sucesso. Em poucas horas, todas as unidades disponibilizadas no lançamento se esgotaram. Hoje a marca é mais acessível e está em algumas redes de supermercados.

O hambúrguer do futuro tem como base a proteína de ervilha, proteína isolada de soja e de grão de bico. A beterraba foi usada para simular a cor e o sangue da carne. A “fazenda” promete reproduzir uma versão com valor nutricional muito próximo ao da carne vermelha e manter a quantidade da proteína, com baixo índice de gorduras.

Carne moída vegetal já pode ser encontrada no mercado brasileiro. (Reprodução)

Outro produto da marca que também fez sucesso é a “carne moída”, feita à base de plantas, mas que imita o sabor, textura e aparência da carne bovina. Se você é fã de macarrão com almôndegas, saiba que as belezinhas também já existem na versão vegetal.

Segundo entrevistas da empresa, mais de dois milhões de unidades já foram vendidas. E o preço? A média é de R$ 15 a R$ 20 por dois hambúrgueres.

No Brasil, também há opções do próprio Burger King (feito pela Marfrig), Bob’s, Seara. Sinal de que as grandes marcas também estão correndo atrás da inovação.

Com a sintetização da comida, será que no futuro comeremos em pílulas, assim como Neo? Eu não duvido.

Ah, e se for comer hambúrguer, seja de carne vegetal ou animal, soca porva no môio!

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