Se tem um francês que conquistou o coração do Brasil nos últimos anos, este é sem dúvidas o chef de cozinha Erick Jacquin. Revelado ao grande público no programa Masterchef, ao lado de Paola Carosella e Henrique Fogaça, julgando uma competição de cozinheiros no horário nobre da Band, não demorou a conquistar programas solo.

Primeiro, em 2016, ganhou seu reality show, O Mundo de Jacquin, na FOX Life, mas foi em 2019 que o meme “Desliga o frizê a notch?” ganhou a internet depois do primeiro episódio da segunda temporada de Pesadelo na Cozinha, que estreou em 2017.

Desde então, o chef se tornou um “meme ambulante”, com direito a filtro do Instagram e o “grupo onde fingimos ser o Erick Jacquin”, no Facebook. Por lá, só é permitido falar com o sotaque do chef – e é impossível ler algo sem ouvir a voz dele automaticamente.

É cada absurdo mostrado nos restaurantes do programa, que a audiência fica na expectativa para cada episódio novo, porque é impossível não sentir um misto de emoções, que vai desde o nojo e indignação à felicidade de ver que no fim – quase – tudo dá certo.

Por isso, selecionamos os cinco melhores episódios pra você que ainda não conheceu esta maravilha gastronômica televisiva e que gosta de ir do ódio ao amor em poucos segundos. Todos os episódios estão disponíveis no YouTube e é bem capaz que você decida maratonar depois de ver o primeiro… E não é propaganda!

  1. Pé de Fava

Claro que o número 1 tinha que ser o restaurante nordestino Pé de Fava… ops, quer dizer, Saborear, São Jorge ou Varandas? Isso porque na fachada tinha dois nomes diferentes, além de outro no cardápio e mais um no uniforme dos funcionários.

No estabelecimento localizado em Guarulhos, a bagunça já começava por aí, mas o pior ainda estaria por vir a cada dez segundos do programa. O chamariz era o self-service – fora do foco nordestino – que estava dando prejuízo para o dono. Intitulado como cachaçaria, o local disponibilizava apenas um tipo da bebida. E se o bairro onde fica o Pé de Fava é o da Tranquilidade, a cozinha era a do inferno.

O dono Fábio apavorava todos na cozinha, berrando, xingando funcionários e colocando a culpa de tudo que dava errado na equipe e na esposa Sâmia, que tinha que aguentar o chato no restaurante e em casa.

Mas o pior mesmo foi quando Jacquin descobriu que na parte superior do restaurante ficavam estocadas as carnes, e, ao abrir um dos freezers e ver o tanto de comida estragada chegou a vomitar em uma das panelas. Foi aí que um funcionário revelou que Fábio deixava o freezer desligado a cada 12h, para “equilibrar as contas e não ficar no vermelho”.

Daí Jacquin surtou, o chamou de “vergonha da profissón” por “desligar o frizê a notch”, mandou Fábio calar a boca e, aos berros expulsou todos os clientes do salão pelo “bem da saúde deles”.

Essa foi a cara do chef ao ter a notícia:

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Apesar da irreverência e má educação de Fábio, o restaurante foi reformado, o cardápio recebeu alguns toques e freezers e estoque de carnes podres foram extintos.

  1. Bawarchi

No último episódio da 2ª temporada de Pesadelo na Cozinha, Jacquin foi investigar de perto os problemas do restaurante indiano Bawarchi, que fica na Vila Mariana, em São Paulo. Muito simpático, o proprietário Ajay contava somente com funcionários do continente asiático, que mal sabiam falar português, principalmente o garçom Rajveer, que entendia errado os pedidos, causando confusão no salão.

– é a primeira vez que estou trabalhando de garçom

– fazia o que antes?

– eu trabalhava de jardineiro

– quase a mesma coisa – ironizou Jacquin.

Além dos funcionários iniciantes no ramo, a limpeza foi um dos aspectos que mais chamou atenção, pois parecia que a cozinha não via uma bucha há séculos. Todos os freezers, gavetas, fogão e aparelhos estavam completamente imundos, e até baratas andavam pelas prateleiras.

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Na hora de provar os pratos, o chef não gostou nada da apresentação, com a comida grudando no papel toalha e o sabor muito forte, longe de agradar o paladar brasileiro.

Não faltaram cenas de brigas entre o chef e os funcionários, que se recusavam a atender às exigências e críticas de Jacquin. “Isso aqui não é restaurante, é uma vergonha”, exclamou o chef, que disse que esse foi um dos maiores desafios do programa, chegando quase a desistir.

  1. Hero’s Burguer

Essa é a prova de uma decoração impecável nem sempre significa que a comida é boa. Chegando à hamburgueria em Pinheiros, Jacquin se perguntou o que estaria fazendo ali.

O casal Sibele e William comprou a Hero’s Burguer na cidade de Jaú e transferiu para São Paulo, com a esperança de bombar na cidade grande. Com a temática super-herois, realmente o restaurante chama a atenção, mas o problema começava na fumaça que inundava o salão, porque a coifa não funcionava.

Entre os funcionários, uma guerra, estimulada pelo genioso chef Marco, que, indignado com a péssima estrutura da cozinha e pela falta de dinheiro dos donos, explodia o tempo todo. Ele chegou até mesmo a brigar com Jacquin e abandonar o trabalho, indo embora.

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A falta de liderança dos donos, que nunca tinham trabalhado no ramo gastronômico e a guerra entre garçons e o pessoal da cozinha tornavam o ambiente caótico, o que refletia nos hambúrgueres, que eram péssimos.

Uma passagem digna de lembrança é o pedido do dono para que não lavassem o chão da cozinha para economizar água. Jacquin ficou indignado.

O desafio foi unir proprietários e funcionários, lembrando o porquê de estarem em São Paulo neste projeto. Vale a pena assistir, e apesar de Marco dar nos nervos, ele acaba conquistando nosso coração.

  1. Sal e pimenta

 Este é aquele episódio que vale a pena ver só pra ver a arrogância escorrendo pelo ralo. Prestes a fechar, o restaurante de comida portuguesa Sal e Pimenta já havia recebido prêmios e sido reconhecido por anos seguidos por publicações do ramo gastronômico, mas depois de ser comprado pelo pai e filho Ari e Vinicius Gonzales, que pouco entendem de cozinha, foi pouco a pouco beirando a falência.

Com o pai pronto pra ir viver na praia e o filho, um ex-militar, flertando com o desemprego, o restaurante foi selecionado para o programa e os donos decidiram lhe dar uma última chance.

Apesar de precisarem de todas as dicas possíveis, os dois estavam relutantes em ouvir os comentários negativos feitos por Jacquin e rebatiam todas as críticas. Então, Jacquin chamou o crítico de gastronomia do jornal Estado de S. Paulo, Luiz Américo Camargo para avaliar a comida do restaurante. Ele já havia escrito uma crítica positiva sobre o Sal e Pimenta em 2008, e voltou para ver como estava uma década depois. Não demorou para decretar que os pratos perderam a qualidade: “O bacalhau não dá pra comer, enjoativo, gorduroso. Esse restaurante deveria ser chamado de SPA, porque você não consegue comer o couvert, a salada, deixa o prato pela metade e sai magrinho”.

O ápice foi quando Vinicius afirmou que Jacquin deveria ter inveja dele, e que não poderia dar opinião sendo que ele faliu seu próprio restaurante.

Foi aí que Jacquin decidiu reviver seu pior pesadelo e voltar pela primeira vez ao seu antigo restaurante, o “La Brasserie”, que fechou em 2013, pois viu que só assim teria o respeito dos participantes. “Esse aqui foi o sonho da minha vida. Eu não fechei por falta de qualidade ou porque os clientes reclamavam. Eu fechei porque eu não tinha clientes o suficiente, com certeza”. O Brasserie ficava na rua mais cara de São Paulo, tinha 90 funcionários e o aluguel custava R$ 60 mil por mês.

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Pai e filho ficaram de boca aberta e caíram na real e no fim Vinicius ainda aproveitou para pedir um estágio para Jacquin, que contratou o rapaz para trabalhar em seu restaurante Tartar & Co como voluntário.

Apesar dos esforços do programa, que transformou o local em um restaurante de culinária contemporânea, o Sal e Pimenta acabou fechando as portas pouco tempo depois.

  1. El Maktub

 Outro local que também foi salvo da falência foi restaurante árabe El Maktub, localizado na zona leste de São Paulo. A surpresa começou logo na entrada, com a disponibilização de preservativos em um suporte na parede. Jacquin ficou chocado e se questionou se o local se tratava de um restaurante mesmo.

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Ao contrário do que parecia, o negócio era de família e se tratava de honrar as origens da matriarca, que já havia partido. Porém, o que atrapalhava era justamente isto: a mãe do dono, Kadige, estava empregando a família inteira, sem poder arcar com tantos funcionários e carregando alguns folgados nas costas.

Sem contar que Kadige é uma figura e com sua personalidade forte teve algumas cenas de deboche com Jacquin e chegou a xingá-lo e querer que ele fosse embora. “Eu não sei se ele é chato ou se ele é fofo”, foi uma frase usada por ela, que com certeza você também, lá no fundo, já pensou.

O chef também não gostou muito do show de dança do ventre que rolava no meio do jantar, mas que atraía bastante clientes, e acabou mantendo a a atração de uma maneira menos invasiva nas mesas. A decoração e a reforma também ficaram simplesmente incríveis!

 

Tem mais algum episódio legal pra indicar? Fala aí nos comentários!

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